I'll find the words
Dizem que falar aos cotovelos é ruim. Dizem que expressar a sua opinião é ótimo, em alguns casos. Unindo ambas as coisas, essa pequena garota irá tentar defender as suas próprias opiniões rebeldes e muitas vezes sem causa de coisas cotidianas, valhas ou às vezes inúteis, passando o tempo aqui, vendo as horas voarem e digitando descontroladoramente palavras aleatórias, porque isso sim é de sua estranha natureza.

Quem?
Gabriela, uma senhora com 16 anos vividos de misturas sentimentais, questões polêmicas, questionamentos insanos e utópicos sobre o mundo, englobados em torno de muitas confusões. Anseia por um futuro melhor, saber-se-á o que será do temido e exasperado amanhã.

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Da poesia
Comentários (2) // segunda-feira, 30 de novembro de 2009

"CONSOLO NA PRAIA

Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o 'humour'?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho."

Carlos Drummond de Andrade

Outras linhas: eu nunca fiz um post aqui, que fosse inteiro de outra autoria a não ser minha, a não ser com citações. Mas, acontece que o blog está com problemas e a sua respectiva dona também. Achei esse poema tão condizente com tudo, que resolvi postá-lo. Beijos a todos que perderam o tempo nesses fragmentos e desculpe a falta de atenção total, mesmo e mesmo.
PS: e onde fica mesmo o que eu havia dito no texto abaixo? Xi.

Fonte da foto: aqui

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Segundos vitalícios
Comentários (14) // domingo, 8 de novembro de 2009

Ao piscar os olhos vejo muralhas sendo destruídas, risos de blasfêmias e lágrimas no deleite da alma. Ao entreabrir as pálpebras encontro lamúrias atingindo os muros de lamentação e as guerras de palavras sendo proferidas. Previamente liberadas, elas saem como o fogo fulgente das chamas e ferem àqueles inocentes. Ora os machucam fortemente.
É necessário respingar gotas de analgésicos profundos, a fim de curar este mal do século. Se a língua é o chicote da alma, amarre-a por sete chaves e somente a liberte depois de muito pensar, tendo exatamente a verdade em sua próxima fala.
Dizem que a mentira é mais fácil do que confessar os gritos que berram sentenças dentro de si, contudo ainda diz o ditado que quem ri por último, ri melhor. A calúnia gargalhará da sua fronte quando lhe vir o desespero cingindo os cílios e amedrontando-lhe o coração. A pureza pode não lhe mostrar ofertas tentadoras e nem saídas de escape facilitadoras, mas com certeza, os juros acumulados em seu cartão de débito serão bem menores no final das contas.
Assim, corra atrás dos pássaros internos e tente voar pelos lugares belos do ato sem temor e da palavra com amor, sem presenciar aquelas conhecidas lutas de dor.

Pense: ser sincero é algo, ofender os demais com veracidade venenosa é machucar mesmo que involuntariamente, um coração de remendos aparentemente forte.

Entrelinhas: há muito tempo que não venho aqui! E certamente você está cansado de ouvir falar em tanto blábláblá meu repetitivo, então, as próximas postagens serão sem palavras difíceis e com humor comediante, assim pretendo. Espero que gostem e até amanhã!
Agradecimentos: para a fofíssima da Ericona, que me fez pintar um sorriso enorme no rosto.

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Desencontrei-lhe
Comentários (9) // sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Fuja da luta ferreira assim como se despediu de mim, tão avidamente que suicidou-se num início ao fim. Cale-se das palavras ardentes assim como me silenciou, achas que o teu nariz assombrar-se-á o mundo? Pensas melhor para não tomares arrependimento. O remorso nos matou. Sobreviveremos novamente dos destroços? Atiraste cóleras aos desentendimentos que o Universo nos causou, à tudo aquilo que te afetou. Continuo sendo aquela mesma, a atrapalhada e cheia de erros. Todavia em algo mudamos e o adiante não nos espera. Sempre o bem desejar-te-ei e aqui, algo seu permanecerá noutro meu. Quero sentir logo o sol surgir, mesmo que longe de ti. Não desejo encontrar-te em lamúrias e devaneações pessimistas. Digo-lhe que não há palavras a mais e seu que isto é clichê, porém o fato é que você foi um diferencial, dentre a maioria sempre igual. Não posso novamente negar-te o amor, aquele que sob todas as forças lhe pertence. Simplesmente, nenhum gesto poderá calar isso...


... adeus à você também.

Entrelinhas: muitas coisas ficam implícitas e necessitamos buscar nelas o verdadeiro significado. Obrigada pelas visitas no blog e os comentários, sempre me deixam muito feliz. O prazer que tenho em respondê-los é inigualável, só que agora não está dando. Desculpem-me, mesmo. I try, I'm really trying.

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You
Comentários (6) // segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Somos um quebra-cabeça com infinitas pecinhas, algumas maiores e outras menores. Há as de valores e aquelas sem apreço. Existem os elementos mágicos, cujo poder é completar os enigmas restantes e desvencilhar as incontáveis horas de busca, a fim de descobri-los no fim do arco-íris. Esses são raros, às vezes somem igual à água dentre as mãos e descolorem-se como a aquarela caída em cloro puro.
Para algumas pessoas os membros remanescentes possuem a forma de ser humano, a vivência fica então complicada, pois atravessando as veredas e situações difíceis, partes frágeis podem sumir e nunca mais voltar. Restam-se as feridas e lembranças das imagens que algum dia foram formadas.
Ao longo do tempo a aparência se modifica e na caixinha de reminiscências guardamos as passagens marcantes do estalar dos segundos. Os componentes infinitos permanecem estáticos... estes que se juntos iluminam passos e acendem luzes vagantes; todavia, distanciados pelo compasso das batidas apagam-se. Só que sabemos profundamente que em seu núcleo ainda há uma vívida lume claramente acessa.
No final, descobre-se que somos como os rios que fluem pelos canais jamais navegáveis, o plural de águas coloridas que correm pelas lavas da vida, os córregos que transpõem por vezes temendo a sujeira que neles poder-se-á encontrar, os lagos da grã-ventura do amor e os degelos das primaveras quentes e dos outonos frios. Entretanto, somos ainda aquele flúmen reluzente, que espera encontrar na alvorada magnífica o deságue de suas cachoeiras cristalinas e o completar do enigma de amar.


[E descobri: a minha pecinha perdida e relutante é você, somente.]

Entrelinhas: flúmen é sinônimo de rio, para qualquer dúvida.
PS: está assim, muito confuso ou estranho? Obrigada (:
Fonte da imagem: aqui.

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Indi.gente
Comentários (10) // terça-feira, 13 de outubro de 2009

Aquela terra era habitada por criaturas ausentes de distinção categórica, colorida e de diversos aspectos. Porque aquele pedaço de chão era jazido por seres cujo coração havia parado, os que nasceram nus e abriram os olhos do mesmo modo. Não haviam mais promessas de fim de ano, xingamentos, blasfêmias, sorrisos puros, dignidade humana, corrupção alheia ou sentimentos. Não eram pronunciadas palavras de socorro ou pedidos piedosos: tudo ficara abaixo do solo e nem os seus nomes eram mais lembrados. Os gritos de guerra negados por uma tarde de sono permaneceram no travesseiro das quimeras inexistentes, o choro por uma refeição fez companhia à fome insaciável dos indivíduos ausentes do que é viver, o cantar com a banda preferida silenciou as vontades da alma e fez morada com o baú dos desejos, as brigas enamoraram-se com o mau-humor, a felicidade entreabriu as janelas semi-escuras pela noite, o silenciar foi imortal e a dor inevitável. Mas sabe-se que foram emoções, absolutamente cada parte que tivera oxigênio sendo aspirado. Quando liberadas pelo ar, ainda podem tocar seres cujos olhos vivem e dizem, por detrás dos brilhosos globos oculares.
Aquele pedacinho de chão não era habitado; ainda é, pois que a efemeridade da vida não amolece e sim esquece velhos corações apagados pela chama vívida. Apenas raríssimos conseguem ser lembrados após o piscar no cruzar da linha, apenas. Carece-se de fazer o melhor, para que a calmaria do esforço se alente ao borbulhar da consciência e faça morada junto à geral presença.

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Emenda Constitucional
Comentários (5) // quinta-feira, 8 de outubro de 2009
É errôneo afirmar que lágrimas a noite não derramei e que sonhos evasivos não sonhei. Quiçá o futuro e os nossos corações requererão gritos em meios às multidões. Se as nossas nações procedessem com decência para com os sentimentos internos, as questões emocionais não se conflitariam. A postura dos seus Estados Unidos fez-me impulsionar a ação ‘Big Stick’. Possuía interesse com o seu território, mas a vã política do seu país estava irritando-me, necessitava mondá-la aos modos apropriados. Sem vínculos ou dó, a pressão externa culminou na emenda constitucional do fim do nosso relacionamento.
Emenda? Assinei contrato de independência acoplado à sua intervenção militar direta. Insanidade política do Sistema Nervoso? Somente sigo as Doutrinas Sociais desenvolvidas: esquivo-me dos delitos e submirjo nos aspectos intrínsecos à vida.
Somos antíteses, países de mundos diferentes, combatentes carentes e enfim, apenas meros seres descrentes do amor, que ainda efervesce em mim. O fato é que você ainda é o meu contragosto do puro desgosto, no mês de a.gosto.


Entrelinhas:
esse texto capenga, digamos que foi inspirado numa aula de história, e se você quiser entendê-lo melhor ou algo afim, leia essas outras linhas. (:
Palavrinhas: estava sim, totalmente sem poder postar no blog, ou realizar tantas outras coisas, mas agora estou voltando à ativa (...)


Fonte da imagem: aqui, por Marina Faria. Página que álias, é um alento para a alma.

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Fidelidade surreal
Comentários (15) // segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Era manhã num deserto da alma, onde nada parecia possível e o acalentar do sol trazia inverno inundando a Antártica. Sem pensar, ela trouxe as mãos para a face e encobriu com elas o retrato triste de uma figura desesperançada. Pensava em si mesma e se envergonhava, pois nada poderia aparentemente mudar. Sentia saudades que a corroíam mais fortemente que a vontade de saciar a sede e aliviar a fome. Queria refrescar-se nas águas purificadoras, entretanto sabia que a fonte estava em seu coração, como sempre estivera. Faltava a paz advinda do seu Criador, escasseava as lentes para poder enxergar que aquilo não se passava de pequenas montanhas em sua vista. Esquecera, pois, de que o seu Amigo fiel move colinas e separa oceanos para àqueles que lhe pedem com clamor e rogam por demasiada ternura.
O seu rosto inquietou-se e subitamente mudou de temperatura, todos lhe perguntaram o que estava havendo e se alguma enfermidade lhe atingira, o problema estava no oásis interno dos seus rios extensos e não no revestimento concreto da sua aparência. Naquele instante observou a redenção adentrando a porta entreaberta do seu coração. Pensou muitas vezes, refletiu e por fim levou os seus joelhos fortemente ao chão, juntando fielmente as palmas das mãos. Primeiro os insultos invadiram a sua mente, raciocinou em desistir e já as suas pernas fraquejavam. Falou que era fraca demais e num mundo de monstros ferozes não iria conseguir viver. Gritou para as suas veias que a destreza alheia inoxidara o cérebro e já não poderia tomar o antídoto contra tal veneno mortal. Pouco a pouco, após cada palavra e pensamento ruins que saiam dentro daquela moça, um espírito consolador foi confortando-a e assim, chorando ela orou:
Senhor, meu Deus de amor, por tantas aflições tenho passado que já sinto os meus olhos arderem ao ver a luz deste mundo cruel. Parece que as minhas vontades se perderam junto àqueles que me queriam o mal. A minha dor é de uma forma tão grande que ninguém consegue tocar no fundo das raízes dessas minhas feridas. Tu venceste este lugar e por isso dá-nos a sublime paz, sabemos que aqui muitas agonias nos esperam e para isso buscamos as nossas renovações em Ti, porque temos a certeza de que nesta rocha de onisciência, jaza a promessa de nossas vidas. Entre tantos pedidos, eu lhe peço apenas mais um neste dia que nos acolhe, seja Tu o nosso reflexo e a sua voz a nossa pronúncia. Seria impiedosa demais se não agradecesse pelo ar que estou exalando, pela família grandiosa que me deste, pelo teto sob as nossas cabeças e o alimento que preparaste durante todos os incontáveis segundos resididos. Só que em algumas vezes esse sangue humano não aguenta as tribulações que o corpo padece, é necessário então, tomar o remédio potente, ouvir a sua voz no coração. Trará assim, a calmaria completa e a total alegria. Preciso de Ti, tanto que nem ao menos consigo explicar. Ouves o meu íntimo e me conheces melhor do que ninguém, por favor, refugie estas lágrimas a cair para longe de mim. A sociedade escolheu viver sozinha e por querer tomar as próprias atitudes, sem antes consultar Àquele que a acolhe em braços de incondicional afeto. Só que eu, aquela de que conheces o nome e o sobrenome, rogo-lhe apenas para invadir como águas em represas ausentes de muros, as terras secas da matéria que sou. Imploro para que sejas o meu Universo e a minha sombra. Exoro para que não permitas que de Ti eu esqueça e neste lugar, mais eu pereça.
Por breves momentos parou. Próximo a ela, encontrava-se uma bíblia. Decidiu abri-la e ler a primeira coisa que lhe viesse aos olhos. Elevou os braços ao alto e disse para que Deus fosse às suas mãos e lhe dirigisse o arredar da leitura que traduzisse o seu coração. Hesitou e logo iniciou:
Ensina-me a tua lei
Estou derrotado e caído no chão; de acordo com a tua promessa, dá-me novas forças.
Contei tudo o que tenho feito, e tu me respondeste; ensina-me os teus mandamentos.
Ajuda-me a compreender as tuas leis, e eu meditarei nos teus maravilhosos ensinamentos.
É tanta a minha tristeza, que estou me acabando; dá-me forças, como prometeste.
Não me deixes seguir o caminho errado; com a tua bondade, ensina-me a tua lei.
Eu escolhi o caminho da fidelidade e tenho dado atenção às tuas ordens.
Ó Senhor Deus, tenho seguido os teus ensinamentos; não me deixes passar pela vergonha do fracasso.
Eu me apresso em obedecer aos teus mandamentos porque assim me darias mais entendimento.”

Ainda jorravam gotas d’águas de sua íris, todavia agora sabia o porquê. Se dentre milhões de pessoas sentir-te só, saibas que nunca estará; há Alguém guardado e escandalizado dentro de nós neste exato minuto e em todos os que terão a sua jornada. Este grita e bate em sua porta, para penetrar na sua vida. Se abrires saberá do que aquela criatura presenciou. Ela conhecia agora isso descrito, e por isso o choro foi sinônimo de alegria e o tremer do corpo, sinal de amor e devoção. Jamais se sentiu incapaz novamente e durante a cada passo dado, somente fazia um pedido: E que o meu andar, seja o teu querer. Amém.


Entrelinhas: o trecho bíblico testemunhado pertence ao livro dos Salmos 119.25-32.
Outras linhas: o meu tempo anda quase inexistente e se você chegou até aqui, peço-lhe desculpas por não responder aos comentários. Amanhã o blog completa 4 meses e isso é algo impressionante, apesar dos quase abandonos.

Fonte da foto: aqui.

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